Imprime 5000 flyers com um QR code. Duas semanas depois, a landing page muda de sítio, a campanha acaba ou alguém repara numa gralha no endereço. Com um QR code normal, aqueles flyers passam a ser papel para reciclar. Com um QR code dinâmico, muda o destino em dez segundos e cada flyer continua a fazer o seu trabalho.
É por causa dessa diferença que os QR codes dinâmicos existem, e vale a pena perceber isto antes de mandar seja o que for para a gráfica.
Estático ou dinâmico: o que muda de facto
Um QR code não passa de uma imagem de um texto. Quando esse texto é o URL de destino, o padrão de quadrados é o URL — para sempre. Mudar o destino obriga a gerar um código novo e a reimprimir tudo. A isso chama-se QR code estático.
Um QR code dinâmico codifica antes um link curto. Os quadrados soletram qualquer coisa como urlik.xyz/menu, e esse link curto aponta para onde você quiser hoje. O QR nunca muda; muda o que está por trás dele. Os leitores veem um redirecionamento e seguem-no — o salto extra demora milissegundos e ninguém dá por nada.
Ou seja: um QR code dinâmico não é um tipo especial de código de barras. É um QR code vulgar envolvido à volta de um link curto. Assim que essa ficha cai, o resto vem por acréscimo.
Porque é que vale a pena o desvio
- Dá para corrigir erros. Um link errado num cartaz já impresso deixa de ser uma catástrofe e passa a ser uma edição.
- Ganha estatísticas. Cada leitura passa pelo link curto, por isso é contada. Os códigos estáticos são um buraco negro — nunca fica a saber se alguém os leu. Veja como funciona o rastreamento de links.
- Um código, várias campanhas. O expositor fica onde está enquanto o destino roda do menu de verão para o de outono e depois para a inscrição no cartão de cliente.
- A imagem fica mais simples. Texto curto significa menos módulos, e menos módulos dão um código mais limpo e encorpado, que se lê mais depressa, de mais longe, e aguenta ser impresso em pequeno.
Este último ponto apanha as pessoas de surpresa. Um URL de 90 caracteres carregado de etiquetas UTM produz um QR denso e frágil, com que os telemóveis se atrapalham à mínima falta de luz. O mesmo destino atrás de um link curto produz um código com uma fração dos módulos. Se vai pôr um QR em alguma coisa mais pequena do que um postal, encurtar primeiro não é opcional.
Como fazer um QR code dinâmico
Três passos, sem conta nenhuma:
- Encurte o destino em urlik.xyz. Dê-lhe um alias legível —
/spring-menuganha a uma sequência aleatória, porque o alias é o que as pessoas veem se decidirem escrever o endereço em vez de ler o código. - Gere o QR a partir desse link curto no gerador de QR codes. Escolha as suas cores e descarregue PNG para ecrã ou SVG para impressão.
- Inicie sessão antes de imprimir. É este o passo que toda a gente salta. Só um link guardado pode ter o destino editado mais tarde — e poder editar é a razão de ser disto tudo. Um link anónimo não se altera, o que transforma discretamente o seu QR dinâmico outra vez num QR estático.
Quando o destino tiver de mudar, abra o link no seu painel, cole o novo URL e guarde. Todos os códigos que já andam por aí apontam agora para outro sítio.
Imprimir de maneira a que o código se leia mesmo
A maioria das falhas de QR é física, não técnica. Algumas regras que se aguentam:
- Use SVG para impressão. É vetorial, por isso mantém-se afiado em qualquer tamanho. Um PNG esticado num cartaz ganha contornos difusos, e contornos difusos matam a leitura.
- Respeite a zona de silêncio. A margem branca à volta do código faz parte do código. Encha-a de texto e os leitores deixam de encontrar o limite.
- Mantenha o contraste escuro sobre claro. Códigos invertidos (módulos claros em fundo escuro) confundem muitos leitores. Cor, tudo bem; pouco contraste, não.
- Atenção ao tamanho mínimo. Cerca de 2×2 cm para algo que se segura na mão, e a crescer consoante a distância de leitura — um código na montra de uma loja tem de ser bastante maior do que um num cartão de visita.
- Suba a correção de erros em superfícies difíceis. Um ECC mais alto deixa o código sobreviver a riscos, dobras e a um logótipo ao meio. Em copos, caixas e sinalética de exterior, compensa o espaço que ocupa.
- Teste a coisa impressa. Não o ficheiro no monitor — a prova a sério, na luz a sério, com um telemóvel barato.
O nosso guia de QR codes cobre os outros tipos de conteúdo (Wi-Fi, vCard, pagamentos), se precisar de algo que não seja um link.
Diga às pessoas o que ganham
Um QR code sozinho a um canto do cartaz é uma pergunta sem resposta. As leituras sobem a pique quando diz o que está por trás: «Leia para ver a carta de vinhos», «Leia para fazer check-in», «Leia e tenha 10% de desconto». Primeiro o motivo, depois o código. Há mais colocações testadas no terreno nas nossas ideias de marketing com QR codes.
Quando o estático é a escolha certa
Dinâmico não é automaticamente melhor. Um QR de Wi-Fi no cartão de um quarto de hotel deve ser estático — codifica a rede e a palavra-passe diretamente, funciona sem internet e não há nada para redirecionar. O mesmo vale para um vCard num cartão de visita. Use dinâmico quando o destino é uma página web que pode mudar de sítio ou que quer medir. Use estático quando o código é o dado.
Em resumo
Encurte primeiro, gere o QR a partir do link curto, inicie sessão para o poder editar depois, imprima em vetorial, teste a prova. Faça isto e o seu material impresso deixa de ser uma aposta única num URL que talvez não sobreviva ao trimestre.