Ninguém se inscreve para receber spam. Ele aparece porque um endereço que entregou num momento de necessidade ligeira — um PDF para descarregar, um desconto único, um fórum onde escreveu uma vez — foi vendido, foi roubado ou simplesmente reutilizado. A sua caixa de entrada é a soma de todos os formulários que alguma vez preencheu e, quando começa a doer, o estrago já está espalhado por uma centena de sites de que não se lembra.

Isto tem conserto, mas não é a apagar com mais força. Eis o que reduz mesmo o volume, mais ou menos por ordem do que compensa.

Primeiro, pare de alimentar o problema

Limpar a caixa de entrada enquanto continua a dar o endereço verdadeiro a todos os formulários é tirar água de um barco com um furo. Comece então pela origem: deixe de dar o seu endereço principal a coisas que não o merecem.

A regra que funciona é simples. Se um site quer um endereço apenas para o deixar entrar — um whitepaper, uma versão de teste, um cupão, um download único, um registo num fórum —, não precisa do endereço que é seu. Use uma caixa descartável: recebe um endereço funcional num clique, recebe o e-mail de confirmação, carrega no link e vai à sua vida. O endereço autodestrói-se e qualquer lista onde ele vá parar é um beco sem saída.

Guarde o endereço verdadeiro para as coisas com consequências: o banco, o emprego, o Estado, o registar de domínios, tudo o que envolva dinheiro ou identidade. Se perder o acesso doer, leva o endereço real. Todo o resto leva um descartável. O nosso guia do e-mail temporário explica como isto funciona por dentro.

Nunca cancele a subscrição de spam a sério

Este é o conselho contraintuitivo, e trocar-lhe as voltas sai caro.

As newsletters legítimas — uma loja onde comprou, um serviço que usa — têm links de cancelamento a sério. Use-os. É a forma mais rápida de cortar o grosso do ruído, e a lei obriga a que funcionem.

O spam a sério — os anúncios a farmácias, as promessas de cripto, a «sua encomenda está à espera» — é outra história. Carregar em «cancelar subscrição» aí confirma que um humano leu aquilo. Isso torna o seu endereço mais valioso, não menos, e ele é revendido como endereço verificado. Não carregue. Não responda. Marque como spam e apague. O único sinal que quer mandar a um spammer é silêncio.

A mesma lógica vale para carregar as imagens de uma mensagem suspeita: uma imagem remota pode ser um pixel de rastreamento que denuncia que a abriu. Quase todos os clientes de e-mail bloqueiam imagens remotas por omissão — deixe essa definição em paz.

Denuncie como spam, não se limite a apagar

Apagar tira uma mensagem da frente. Denunciar ensina o filtro a reconhecer o que você considera lixo e ajuda-o a apanhar os próximos mil — para si e para toda a gente no mesmo fornecedor. Dá o mesmo clique. Use o botão de denúncia.

O contrário também conta: se e-mail verdadeiro cair no spam, marque-o como «não é spam» e junte o remetente aos contactos, ou o filtro continua a aprender a lição errada.

Descubra quem o vendeu

Se o seu fornecedor suportar endereçamento com «mais», pode distribuir [email protected] e o correio chega à caixa de sempre. Quando aparecer spam endereçado a you+shopname@, sabe exatamente quem vendeu ou perdeu o seu endereço. É um rasto de auditoria útil — com uma ressalva honesta: o truque é conhecido de todos, e os corretores de listas mais rasteiros limitam-se a cortar a parte +shopname antes de vender. Diz-lhe quem foi a fuga; não trava a fuga.

Um endereço descartável trava, porque não sobra nada para onde entregar. É essa a verdadeira diferença entre localizar o problema e acabar com ele.

Mantenha o endereço fora da web aberta

Os spammers correm robôs que não fazem outra coisa senão colher endereços de páginas públicas. Se o seu endereço está em texto simples no seu site, num perfil de fórum, num commit do GitHub ou num PDF, já está numa lista.

Publique um formulário de contacto ou um link, em vez do endereço em bruto. Se precisa de algo em que as pessoas possam carregar a partir de uma bio ou de um cartaz, uma página link-in-bio ou um link curto para um formulário de contacto resolve, sem expor uma sequência que se colhe num segundo.

Veja o que já se sabe por aí

Procure o seu endereço num serviço de notificação de fugas de dados. Se ele aparecer em brechas antigas, está explicado o ruído de fundo — e significa que qualquer conta que reutilizasse a palavra-passe dessa brecha precisa de uma nova, e com urgência. O spam é o sintoma visível; o roubo de credenciais é o caro.

Pondere recomeçar do zero para o que importa

Se o seu endereço principal anda público há uma década, filtro nenhum o salva por completo. O movimento pragmático não é abandoná-lo, é despromovê-lo: crie um endereço novo, dê-o apenas às contas que contam, mantenha o antigo vivo para o correio antigo e deixe-o apodrecer. Junte a isso endereços descartáveis para tudo o que seja transacional e, em poucos meses, o caudal reduz-se a um fio de água.

O que fazer esta semana

  • Cancele a subscrição das newsletters legítimas que nunca lê. Denuncie o resto como spam, sem carregar em nada.
  • Use um endereço descartável no próximo registo que só quer um e-mail para o deixar entrar.
  • Retire o seu endereço verdadeiro de qualquer página pública que controle.
  • Verifique o endereço contra fugas conhecidas e mude as palavras-passe reutilizadas.

Nada disto é um filtro que se instala uma vez. É um hábito: decidir, sempre que um formulário pergunta, se aquele site merece o seu endereço verdadeiro. A maioria não merece.